sexta-feira, 13 de outubro de 2006

O fenômeno Joseph Allen Smith


Pouco antes de morrer, Joseph Allen Smith concluiu que, apesar de tudo, era um perdedor. Nascera na pequena Neville Lake, um distrito alheio e incerto no estado de Utah. Aos três anos uma queda lhe deixou com uma seqüela na perna direita, o que comprometeu o seu andar para sempre. Aos sete, perdeu os seus pais no naufrágio do vapor Santa Mônica, o maior da história da navegação no Mississipi. Naquele mesmo ano, foi entregue a uma tia de Nova Orleans que tinha problemas com álcool. Várias vezes, Joseph fora espancado por homens que sua tia recebia em casa. Aos 11, por força de uma vizinha, ingressou no internato da abadia dos Graves. Aos 16, dois anos antes de encerrar curso médio, começou a ser molestado por um dos frades da abadia, e isto só teve fim quando outros dois garotos, também molestados, denunciaram o religioso. Aos 18 começou a escrever num jornal mural do internato, e acabou chamando atenção do reitor. Ainda naquele ano, quando terminou os estudos, iniciou-se na carreira de redator do terceiro maior jornal da cidade, dos quatro existentes. No começo trabalhava a troco de comida e dormia no almoxarifado. Quando passou a receber, mandava parte do dinheiro para sua tia, e continuou mandando ainda por muito tempo, quando enfim lhe chegou a notícia de que ela falecera havia três anos, e um dos seus companheiros até comprara um carro com o dinheiro que chegava todo mês.

Enquanto Joseph esteve naquele jornal, seus pequenos contos ocupavam um espaço na coluna de um dos maiores colunistas do estado, mais respeitado do que competente. Quando o jornal começou a receber cartas de muitos leitores para o jovem redator, o grande colunista, enciumado, pressionou o editor e Joseph foi dispensado sem maiores delongas. Mas logo em seguida Joseph foi admitido no segundo maior jornal da cidade, já tinha algum nome, e agora teria um espaço só seu. Em um ano, o sucesso de Joseph alavancara as vendagens do jornal para mais de 50% da média dos anos anteriores. Dois anos depois, a tranqüilidade do novo emprego e o sucesso crescente lhe motivaram a escrever uma pequena novela sobre um homem apaixonado por pássaros. Daí tudo veio em cascata: as vendagens absurdas, entrevistas, reedições, muito dinheiro, viagens por todo o pais, palestras em universidades, eventos, venda de direitos para o cinema, adaptação para o teatro, prêmios, excursões, encontros com estadistas, campanhas humanitárias, títulos, construção de conservatórios, e a criação de uma fundação de apoio a refugiados com sede nas principais capitais do mundo. E já em seu chalé em Berne, sorvendo sua sopa de mariscos, pela primeira vez na vida teve pena de si. A despeito de todo o dinheiro, de toda a celebridade, de tudo que conquistou, lhe comprimia o peito a frustração de nunca ter feito uma mulher gozar.

8 comentários:

Luís Venceslau disse...

também, queria o quê? kem eh molestado eh criança; com 16 anos eh bicha mesmo. dava e achava bom.

Bruno | Homepage

Luís Venceslau disse...

tu sabia q esse teu texto pode gerar uma rusga religiosa? Teu personagem tem o mesmo nome do criador da Igreja de Jesus Cristo dos Santos do Último Dia, os mórmons. E ele pregava a poligamia.

45iso | Homepage

Luís Venceslau disse...

Joseph Smith é nome pra lá de comum. Não sei se concordo com Bruno, mas que isso deixa o cara seqüelado, isso deixa.

Mythus

Luís Venceslau disse...

O comentário de Túlio foi acertado do começo ao fim.

o proprietário

Luís Venceslau disse...

mas tem homem que se acha mesmo, né não? quem disse que o prazer da mulher depende do homem?

mi-al

Luís Venceslau disse...

hahahahahahahah sim, agora eh serio. lembre das palavras de marcelo nova (o pai da penelope) "enquanto eu tiver lingua e dedo, mulher nenhuma me mete medo."

Bruno

Luís Venceslau disse...

mas mas mas... (*suspiro). ok, vamos reler.

luci | Homepage

Luís Venceslau disse...

eh como contar uma piada e ninguem rir? responda, tulio. responda, luis. :P

Bruno

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