sábado, 3 de setembro de 2011

Impressões de um gauche em Fortaleza

Depois de quase 12 horas de viagem, Fortaleza nos recebeu com um mormaço típico de agreste. O céu sem nuvens, as poucas árvores e a brisa tímida quase fizeram com que eu me sentisse em Campina Grande. Mas as semelhanças com a Rainha da Borborema pararam por aí. Logo na entrada, Fortaleza exibe toda a sua exuberância: vários galpões de distribuição, um ao lado do outro; filial da Petrobrás e um horizonte repleto de prédios que já nos davam uma idéia do dinamismo daquela que é uma das três capitais que mais crescem no Nordeste.

Dragão do Mar. Pense num lugar massa..

Uma das coisas que mais nos chamou atenção na cidade é a forma como o centro, o litoral, e a parte histórica estão integradas num mesmo conjunto. Diferente de João Pessoa, em Fortaleza o centro é junto da praia, e entre uma coisa e outra está o Centro Cultural Dragão do Mar, um complexo muito bem equipado que compreende museus, cinemas, anfiteatro, salas de exposições e até um planetário. Ao contrário do Espaço Cultural de João Pessoa, que é um prédio fechado, o Dragão do Mar tem seus prédios espalhados por uma grande extensão que engloba a parte histórica, e a comunicação entre os ambientes se dá por escadarias, túneis suspensos e rampas. Por ali mesmo, se confundindo com o Dragão do Mar, vemos a já citada parte histórica, que hoje hospeda bares, restaurantes, pizzarias, boates e a sede do Sesc.

Pizza no jantar, cervejas "alemãs" e muita gente bonita e transada

Resumindo, em poucos quarteirões está praticamente tudo o que interessa em Fortaleza, e não é pouca coisa. São poucos passos que levam da orla imensa, ao shopping a céu aberto (uma alameda de lojas comerciais), passando pelo obelisco do Centenário da Independência, pela igreja neo-gótica, o mercado de artesanato, e a Universidade Católica. Nas ruas contíguas ao Dragão do Mar contei pelo menos umas quatro ou cinco casas de show, sendo uma exclusivamente de reggae, que vinha tendo programação desde a quarta-feira, e com casa lotada. Isso tudo sem contar os bares ao longo da Beira-Mar e outras casas de show mais afastadas da área em que estávamos.

Outro fato notável é que as casas de show que promovem, inclusive, shows de Rock (a exemplo do Órbita), também estão ali por perto do Dragão do Mar, próximas à área mais nobre de Fortaleza. Em João Pessoa e Natal, a coisa meio que fica relegada a "guetos", à parte histórica que ficou abandonada e esquecida pelo desenvolvimento. Em Fortaleza, não. Esta parte não só é muito bem cuidada como é um ponto de encontro praticamente obrigatório para quem passa pela cidade, e não só do ponto de vista decorativo, mas para ser vivenciado e experimentado com todo o vigor, sobretudo à noite.

Entre o hotel onde ficamos e o Dragão do Mar, perdemos as contas de quantos hotéis, pousadas e, principalmente, pizzarias vimos por lá - é uma verdadeira febre. Mal anoitece elas abrem, e a briga pela clientela começa. Quem também inicia sua batalha diária pelos fregueses são as prostitutas e os travestis. Só na rua do nosso hotel, praticamente não ficava uma esquina sem que houvesse alguém fazendo ponto. Esse ramo, um dos tão prósperos em Fortaleza, é só um dos sinais da quantidade de turistas que a cidade atrai em todas as épocas do ano, e agora não era diferente. Mesmo com o calor implacável, e sendo uma capital bem mais jovem do que João Pessoa, Fortaleza conseguiu se aparelhar e se tornar interessante aos olhos do Brasil e do mundo, mantendo um custo de vida razoável (bem abaixo da loucura que é Natal) e um trânsito fluído de cidade planejada. Apesar de aparentar uma qualidade de vida um pouco melhor, João Pessoa pelo visto tem muito o que aprender com a capital do Ceará.

PS.: Não vi ninguém engraçadinho por lá.