segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

A maior banda do mundo hoje é...


"...Like a Clockwork"
Queens of the Stone Age
2013

Dia desses eu vi uma frase de Dinho Ouro Preto que falava assim: “Falta uma banda que una todas as tribos. Como foi o Nirvana”

Não que Dinho Ouro Preto seja lá um pensador, uma referência, mas o cara vem de uma geração bem anterior, viu o Punk e veio acompanhando as coisas de um ponto de vista bastante privilegiado: de dentro da “máquina”. Vá lá que não valha pela reflexão, mas experiência também conta, e o que ele disse até que fez algum sentido, sim. O Nirvana conseguiu unir pólos muito distantes, congregou fatias generosas da juventude num nível global, atraiu desde o pessoal do underground até os públicos do mainstream mais superficial. Mulheres, rapazes, garotas, tiozinhos, todo mundo pirou no que o Nirvana trazia para um cenário mortificado que era aquele do início dos anos 90.

Olhando para hoje, quem é que tem essa capacidade de juntar gente de gerações diferentes, de “tribos” diferentes, de regiões e orientações distintas? Os Strokes conseguiram, mas por pouco tempo. Era preciso mais continuidade, mais pujança, mais identificação com o chamado público de rock. Trazendo pra hoje, uma das poucas, se não a única banda, capaz de atrair um número maior de adeptos das mais variadas vertentes roqueiras é o Queens of the Stone Age. E vou além: o Queens é a grande banda de rock da atualidade. Digo isso porque boa parte das bandas indie (Arcade Fire, Arctic Monkeys, Franz Ferdinand, Strokes) estão acabando por se afundar mais e mais nesse nicho indie, abraçando o som de boate, os beats eletrônicos, como se este fosse o melhor dos caminhos criativos.

Já o Queens consegue se manter dentro do espectro do rock sem descambar para a plasticidade dos citados acima. Enquanto boa parte das bandas parece convergir para uma sonoridade meio Daft Punk, o Queens se coloca como um contraponto a isso, um refúgio para quem não tá tão interessado em danças nem em FMs. Donos de uma personalidade indiscutível, de timbres bastante particulares, o Queens segue conquistando desde o moleque que está aprendendo a tocar agora, até o pessoal que cresceu com o Grunge, e gente do metal. O último disco (...Like a Clockwork, 2013) foi a prova disso. No passado a banda chegou a ter grandes êxitos comerciais, aí mudou formação, andaram baleiando, mas em 2013 eles se aprumaram e o retorno foi magistral. Deram uma puxada no freio, mas não na criatividade. Abriram mais espaço para as vozes, investiram mais em ambiências, e fizeram um disco quase irretocável, que vai direto no ponto, sem rodeios, sem frescura. É um trabalho sombrio e ao mesmo tempo sexy, e mais denso do que pesado. Por essas e outras é que eu não tenho nenhum medo de afirmar: a maior banda do mundo hoje é o Queens of the Stone Age.