segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Cinco discos pra entender o Glam Rock

O Glam pode ser definido como a ponte entre o hippie esperançoso e o punk anárquico, numa boa mostra do esfacelamento das utopias que terminariam sendo enterradas nos anos 80, com a vitória das corporações. Mas voltando ao Glam, o estilo se embasava em muitas das conquistas do Verão do Amor, como a liberdade sexual, mas já insinuava uma boa dose de desencanto que culminaria com o apelo destrutivo da geração de 77. Abusando da androginia, das temáticas urbanas e do colorido (pantufas, boás, e muito glitter, heranças do Flower Power), o Glam Rock combinava brilho com uma espécie de charme decadente, frescor juvenil com o escapismo. Pra eles, fãs de Andy Warhol, o glamour era também era uma metáfora de um mundo cada vez mais superficial, cada vez mais focado na embalagem.

Mas o Glam Rock não era só imagem e polêmica. Abaixo, cinco discos que comprovam isso.

“Hunky Dory” (1971), David Bowie

Nesse disco, ainda não vemos Bowie encarnando uma das tantas personas que daria vida em sua carreira: nesse ponto ele era a própria encarnação do Glam Rock. A afetação, o visual andrógino, as referências à Era Vitoriana e à corrida espacial, são alguns dos traços mais marcantes desse disco que, se não é dos mais roqueiros, mostra um Bowie maduro, pronto para se tornar um dos maiores artistas dos anos 70. Detalhe: esse disco é o de Life On Mars?. (aqui)


“Electric Warrior” (1971), T. Rex

Marc Bolan e seu T. Rex dentro do Glam Rock representavam um lado mais místico em oposição ao apelo retro-futurista de Bowie. Herdeiro do folk-psicodélico de Donovan (o bardo inglês que surgira como uma resposta a Dylan), Marc Bolan focava o seu som numa atmosfera carregada de groove e hedonismo. Sem dramatismo e nem preocupação cênica, Marc Bolan se permitia improvisos, microfonias, funcionando como uma espécie de xamã numa postura que lembrava um pouco a de Jim Morrison, mas sem tanta poesia. (aqui)

"Sladest" (1973), Slade

John Lennon uma vez disse que o Glam Rock era "o bom e velho rock and roll apenas com batom". No caso do Slade, o lance era mais rock’n’roll do que exatamente batom. Com jeito de gangue de delinquentes, abusando de gírias nas músicas, e investindo em mais peso do que o T. Rex, o Slade era o lado mais irresponsável do Glam Rock. Primando basicamente pela diversão com um quê hooligan, o som do Slade é cru e sem floreios, quase uma explosão hormonal: celebração juvenil em estado (im)puro. (aqui)


"Mott" (1973), Mott The Hoople

Após terem a carreira salva com o single presenteado por David Bowie, a banda de Ian Hunter teve força suficiente para continuar no topo por méritos próprios, através de um dos maiores discos da década. Praticamente um hit singles pack, com baladas perfeitas, um rock'n'roll melancólico, muito piano e um pé no rock de arena, o disco de 73 foi o primeiro a trazer a palavra punk, numa mostra de que a ponte para o apocalipse de 77 já estava se formando. (aqui)


"New York Dolls" (1973), New York Dolls

Com roupas feitas por eles mesmos, postura sexualizada, muita malícia e uma certa urgência instrumental, os New York Dolls sintetizavam de forma amplificada todo o inventário Glam Rock até então. Eles só não chegaram a ser uma banda punk de fato por ainda se renderem a um certo tributo ao Rock’n’Roll clássico, e também não terem a postura destrutiva, nem a linguagem, que marcariam a geração de bandas que emergiria antes do fim daquela década. (aqui)

Menções honrosas (vale ver também): "Here Come the Warm Jets" (1974), de Brian Eno; "Country Life" (1974), do Roxy Music; "Kimono My House" (1974) do Sparks; "Desolation Boulevard" (1974) do Sweet e "Glitter" (1973), de Gary Glitter.