quinta-feira, 17 de maio de 2012

Revendo Norah

Cantora: Norah Jones 
Disco: Little Broken Hearts
Lançamento: 2012 

Numa entrevista recente, o baterista Matt Helders do Arctic Monkeys soltou essa: "Para nós, parece ser óbvio fazer algo diferente quando fazemos um novo álbum. Sei que muitas bandas podem continuar fazendo o mesmo som para sempre, podem ter uma carreira só fazendo isso". E disse mais: "Obviamente muitos fazem isso e funciona. Só que não acho que iríamos querer fazer isso. Não poderíamos fazer um disco como o nosso primeiro novamente, soaria um pouco falso".

De fato, isso tudo parece bem óbvio. Pena que é algo tão pouco compartilhado por aqueles que fazem arte hoje em dia, especialmente aqueles músicos que conseguem atingir o chamado “mainstream”. Talvez por falta de talento, de personalidade, por incompetência mesmo, ou influências mercadológicas, ultimamente tem sido cada vez mais raro vermos alguém se arriscar. Aí surge o bordão: “mas time que tá ganhando não se mexe”. Compreende-se. Mas é também por essa lógica (até um tanto tacanha), de investir na “segurança dos negócios” que vemos um cenário tão desinteressante, estagnado, enfadonho. E até o rock parece ter entrado nessa. Logo ele, que era vanguarda por excelência, que atraia as principais atenções, que era a locomotiva do pop, o "motor das revoluções", o gerador de polêmicas, virou hoje um gueto, um vagãozinho tímido lá atrás, numa época em que Adele, Beyoncé, Bieber e Lady Gaga conduzem o espetáculo.

Mas neste mesmo mundo em que falta testosterona, e quase não se vê coragem para segurar a onda de uma mudança de rumos (com tudo de bom e de ruim que ela possa ter), coube a uma garota de voz docinha mostrar como ainda é possível se reinventar se respeitando, respeitando o ofício e o público. O que Norah Jones fez em seu disco mais recente (Litte Broken Hearts, 2012) é pouco se comparado ao que David Bowie passou os anos 70 fazendo, ou ao que os Beatles fizeram ao trocar o trono do pop pelo experimentalismo que pipocava no underground. Mesmo assim, Norah mostrou que não estava tão acomodada assim naquele nicho pop-jazzistico que lhe deu alguma notoriedade.

Jovem demais para concorrer com Diana Krall, e cult demais pra ficar no mesmo saco de Adele, Norah pra mim sempre pareceu meio deslocada fazendo papel de diva. Agora, a moça parte para um ambiente mais arejado, mais solto, sem a preocupação em seguir cânones sofisticados nem em exibir sua perícia vocal. Isso não significa que a voz não esteja impecável, como sempre, a diferença é que a embalagem, o “clima”, as texturas, fogem dos timbres banais do “piano bar” e ganham uma cara própria, bem particular (a parceria com o produtor Danger Mouse pode ter sido decisiva pra isso). Enfim, se vai tocar na novela ou na Mix é difícil saber, mas me arrisco a dizer - sem nenhum medo - que já é uma das melhores coisas que aconteceram nesse 2012.