quinta-feira, 10 de abril de 2014

Um pequeno clássico perdido



The Heavy Blinkers
The Night and I Are Still So Young
2004

Vou começar uma série que se chama Grandes discos recentes que passaram batidos. Um título bem auto-explicativo. É até compreensível que muita coisa boa se perca na enxurrada de lançamentos que se sucedem todos os meses e mal você descobre um já surgem mais uns dez que muitas vezes nem valem a atenção. O problema é que no meio desses pode ter um daqueles discos que você vai ouvir pelo resto da vida, que vai sobressair no meio de tanta coisa derivativa e sem personalidade. Foi o caso de The Night and I Are Still So Young, dos Heavy Blinkers.

O disco é do já longínquo 2004 e eu devo ter ouvido pela primeira vez lá em 2008, 2009. O primeiro pensamento é “como é que eu só vim ouvir isso agora?”, tamanha a surpresa. Na época eu pesquisava sobre Indie Pop e acabava de descobrir um tal Chamber Pop, no que pelo jeito esse disco se encaixava. Chamber Pop, como o nome já diz, é “pop de câmara”, numa referência à música de câmara, cuja a característica principal é a utilização de orquestras menores, tocando peças mais curtas, em ambientes que forneçam uma reverberação natural.

Mas o que o disco tem a ver com isso? Muita coisa. De cara surgem os arranjos orquestrais e vocais dispostos numa atmosfera que consegue ser pop e luxuosa ao mesmo tempo. Por aí já se vê nitidamente que as grandes influências do Heavy Blinkers são o Sunshine Pop do fim dos anos 60, Burt Baccharach (um dos maiores compositores de sempre) e os Beach Boys da fase Pet Sounds, que foi o disco onde a banda deixou a Surf-Music de lado e embarcou numa onda mais orquestral e sofisticada que impressionou até os Beatles, em 66.

Alguém que vai na linha desses aí, no mínimo merece alguma atenção. E no caso desse disco, os Heavy Blinkers não decepcionam. Fui com a cara de pouca coisa nesse século XXI, mas The Night and I Are Still So Young bateu forte, já desarma nos primeiros minutos e tudo o que você tem a fazer é se render àquele disco que só pode ter sido feito com muito carinho e esmero. É um disco lindo, não há muito o que dizer além disso. É um daqueles trabalhos feitos pra a gente acreditar, nem que seja por uns minutos, que o mundo pode ser um lugar melhor. O que é muita coisa.