terça-feira, 13 de abril de 2010

O arquiteto da revolução

Banda: Sex Pistols
Album: Never Mind the Bollocks Here's The Sex Pistols
Lançamento: 1977

O ano de 1977 marcou a quebra do cânone beleza-técnica que regia o rock desde o início daquela década. Foi a derrubada do muro que separava os músicos das pessoas normais. A partir de então, não precisava mais ser bonito, ter dinheiro, nem sequer saber tocar, para montar uma banda. É claro que muita coisa ajudou a desencadear esse processo: a falta de comunicação entre aquela geração e os astros, a participação massiva da juventude, a adesão de meios de comunicação, e obviamente, toda uma cena em que bandas emergiam baseadas tão somente no célebre do-it-yourself. Era o Punk.

Entre tantos nomes dignos de nota nesse momento de mudança, um merece atenção especial: Malcolm McLaren, morto na semana passada. Dono de uma loja de roupas moderninhas desde os anos 60, McLaren percebeu numa viagem a Nova York que havia alguma coisa no ar, clubes novos, bandas novas, e com o seu faro pro marketing, se baseou nessas sensações para elaborar um conceito todo baseado nessa nova estética. De volta à Inglaterra, McLaren observou que entre os seus fregueses havia um grupo bastante singular e, ao mesmo tempo, totalmente identificado com aquela nova cultura que se disseminava longe da mídia. Foi assim que devidamente assessorados, bem trajados e instigados, surgiram os Sex Pistols.

Está certo que os New York Dolls lançaram a moda punk, e que os Ramones trouxeram de volta a simplicidade perdida, mas foram os Sex Pistols que uniram som, imagem e discurso numa verdadeira bomba de hidrogênio cuja explosão só teve paralelo com o estouro da Beatlemania, em 64. Pregadores máximos e mártires do movimento, os Pistols traziam uma proposta musical raivosa, anárquica e sem nenhuma preocupação artística - tudo o que um público farto de utopias estava precisando.

A banda só chegou a gravar um disco, “Never Mind the Bollocks” (1977), mas foi mais que suficiente. A indústria, o showbizz, o público, o rock, enfim, todo o establishment jamais seria o mesmo depois de "Anarchy in the U.K." e "Pretty Vacant", que sozinhas já pagam o disco. Toda a aceitação que os Pistols tiveram foi o bastante para provar que McLaren era mais do que uma mente por trás de um fenômeno calculado: era alguém capaz de construir símbolos, e assim, alterar mentalidades.

- God save the Queen!