terça-feira, 16 de outubro de 2012

Os anos 80 que (quase) ninguém conhece

Frequentemente chamada de “a década perdida”, os anos 80 parecem ser aquela década que todo mundo faz questão de esquecer, e claro que na música não seria diferente. Se de um lado o pop atingia o seu ápice industrial fazendo ídolos como carros numa linha de montagem, do outro o “roque pauleira” com cheiro de laquê chafurdava na breguice do hard metal machão. Pelo meio, ainda se ouvia o New Romantic com suas ombreiras, e mais um monte de vertentes que se apoiavam no som de tecladeiras para evocar uma pseudo-modernidade dançante (era o Synth Pop). Correndo por fora (mas bem por fora meeesmo, e por baixo), o Rock Inglês lá do seu gueto escuro já influenciava o rock alternativo americano com o Pos-Punk, e lançava as bases do que se chamaria de Indie, nos anos 90.

Não era um cenário muito animador, de fato. Muita artificialidade, muita cosmética, muita tecnologia e pouca criatividade. Mas apesar de tudo, de todo o aparente vazio criativo (vencido na década seguinte), os anos 80 ainda escondem no íntimo de suas mais recônditas sombras alguns discos que são verdadeiras pepitas perdidas sob toneladas de escombros de preconceitos. Reconsiderar é sempre um exercício que pode ter resultados surpreendentes, e isso vale também para aquela década tão desprestigiada. Sem mais conversa, abaixo cinco discos dos anos 80 que merecem atenção:


Dexys Midnight Runners - Searching For The Young Soul Rebels (1980)

Talvez um dos discos mais bem gravados da época (ao lado de outros como Ocean Rain, do Echo & The Bunnymen). Partindo por um caminho totalmente diverso do da maioria, longe do senso comum das paradas, os Dexys Midnight Runners fizeram um disco traziam para o ambiente da New Wave os metais do Soul e do Ska, tudo com toques do pop setentista. Um grande disco, pra se ouvir em alto volume. (aqui)


Violent Femmes – Violent Femmes (1983)

O Violent Femmes com sua pegada acústica parece antecipar o que depois se chamaria Twee Pop, uma vertente mais crua e acústica dentro do indie. E é essa crueza que vai dando tom ao disco inteiro, que transcorre quase como um misto do minimalismo do Velvet Underground e da raiva do The Clash. É um trabalho sem paralelo, considerando-se que os ingleses do The La's e os americanos do Beat Happening só apareceriam bem depois. (aqui)



Aztec Camera - High Land, Hard Rain (1983)

Algo como “E se os Smiths fossem escoceses?”. Sem tanto apelo roqueiro, com muitos violões, e um instrumental firme, a banda investia num certo groove, mas sem perder o alvo do pop, que era bastante envolvente. Era uma banda "do bem" para pessoas idem. (aqui)


Lloyd Cole and The Commotions - Rattlesnakes (1984)

A exemplo dos próprios Smiths e do Aztec Camera, a banda de Lloyd Cole era uma das raras que rejeitavam os aparatos eletrônicos e resgatavam a importância do violão, que aquelas alturas parecia esquecido. Mas “Rattlesnakes” passa longe de ser minimalista, tem orquestras, e um band leader com ares de um Bob Dylan new wave. (aqui)


Glorious Din - Closely Watched Trains (1987)

A década já corria para o final quando aparece esse disco que o que tem de raro, tem de pungente. Extremamente cru, ele parece ser um elo perdido entre Ian Curtis (o conturbado líder do Joy Division) e de Michel Stipe (do REM). Post-Punk do bom, obscuro. Um achado. (aqui)