domingo, 2 de dezembro de 2012

Fazendo a corte


King Crimson
"In The Court Of The Crimson King"
1969

Os anos 60 chegavam ao fim e a grande massa amorfa de possibilidades que se abrira no rock'n'roll ia se acentando em dois flancos bem definidos. Um deles era o Blues Rock, que tinha no Cream, Blue Cheer, Deep Purple e no novato Led Zeppelin as forças motrizes que originariam o Hard Rock e o Heavy Metal pouco depois. No outro polo, o psicodélico, Robert Fripp emergiria, e com a sua nova banda, o King Crimson, daria o passo adiante rumo a uma das tendências mais fortes da década seguinte: o Rock Progressivo.

Fazendo uma comparação, a Psicodelia havia levantado a bola - era só colocar pra dentro. Foi o que o King Crimson fez, acertando cheio, no ângulo. De posse do que já estava no ar (influências jazzísticas, estruturas extensas, orquestrações), Fripp e Cia. juntaram as pontas soltas desse circuito e criaram uma configuração que seria levada ao limite anos depois. Tamanha a maestria, ironicamente o Crimson nunca mais atingiria o equilibrio formal que tornou In The Court Of the Crimson King (1969) um clássico. Desde os timbres rascantes da guitarra de Fripp, os arpegios da bateria de Giles, a sessão de sopros, até o vocal de Greg Lake, nada se sobressai, nada joga apenas ao próprio favor: é um conjunto em seu sentido pleno.

Em meio a todo o rigor instrumental que já se insinuava, fica evidente a riqueza melódica do grupo em músicas mais calmas como "Epitaph" e "I Talk to the Wind", que sozinhas já pagariam o disco. É certo que In The Court Of the Crimson King ainda possui ecos de psicodelismo, mas estes são apenas resquícios de uma pele já trocada. Como fora com outras bandas da mesma lavra (Jethro Tull, Yes), as cores, os insights e as experimentações saíam de cena em favor da razão, da performance e da extravagância. Começava assim a era dos excessos, também conhecida como anos 70. (aqui)