segunda-feira, 18 de junho de 2012
A fuga de Paul
quinta-feira, 17 de maio de 2012
Revendo Norah
segunda-feira, 23 de abril de 2012
A descoberta de Mimito
domingo, 18 de março de 2012
Tardio
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
De Minas, gerais
Cantor: Milton Nascimento & Lô BorgesDisco: Clube da Esquina
Lançamento: 1972
Qual o contrário de guinada? Talvez essa palavra nem exista. Certo mesmo é que o que Milton Nascimento fez no começo dos anos 70 pode ser chamado de uma guinada ao contrário. Compositor reconhecido, destaque em grandes festivais, Milton retornaria ao seu reduto, pra longe da mídia, e se juntaria a um bando de moleques desconhecidos para gravarem um disco duplo.
Atente para a quantidade de absurdos numa mesma frase: longe da mídia, moleques desconhecidos, disco duplo. É loucura, se medirmos com a régua de hoje, tão pragmática, tão mesquinha. Para artistas de verdade, do naipe de Milton, trata-se apenas de mais um capítulo numa trajetória vitoriosa. No caso em questão, um dos capítulos mais grandiosos da música brasileira moderna, e que atende pelo nome de Milton Nascimento e Lô Borges – Clube da Esquina (1972).
Nem clube nem movimento: o título faz referência ao grupo de amigos que se reunia numa esquina de Belo Horizonte para tocar violão, aprender novos acordes e novas músicas. Além de Lô e Milton, Beto Guedes, Wagner Tiso e Fernando Brant integravam a turma. Após tomarem rumos distintos, todos se reuniriam naquele 1972 para um projeto que teria o melhor de cada um: o canto de Milton, a influência beatlemaníaca de Lô, as letras de Brant, a tradição mineira em Beto Guedes e o virtuosismo de Wagner Tiso. Só assim, de posse do melhor de cada um e no meio de uma enorme sintonia é que seria possível criar algumas das músicas mais emblemáticas daquela década, como “Trem Azul”, “Nada será como antes”, e “Tudo o que você podia ser”. Não por acaso, algumas dessas músicas acabariam sendo regravadas exaustivamente, inclusive por nomes de peso da MPB clássica, como Elis Regina e Quarteto em Cy. Virou um clássico instantâneo.
Como Raul Seixas, que propunha o encontro de Elvis com Gonzagão, do baião com o Mississipi, Milton e companhia fizeram uma celebração do olhar interiorano, seja do interior da América Latina, do interior de Minas com seus trenzinhos e sua religiosidade, ou do interior da Inglaterra na música de Lennon e McCartney. Como diria o também mineiro Guimarães Rosa, “o sertão é em toda parte”, e o pessoal do Clube sabia disso.
- Vento solar, estrelas do mar
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
Discos conceituais dos anos 60
Os Moody Blues são considerados pioneiros de muitas coisas: da utilização de orquestra como base das composições, e do Rock Progressivo, que ganharia força a partir dos anos 70. O Moody Blues também é considerada uma das primeiras bandas a lançar mão do artifício do disco conceitual. Em “Days Of Future Passed”, a banda reconstrói o percurso de um dia, do amanhecer à noite, com músicas que evocam cada período (Dawn is a feeling, Tuesday Afternoon, Nights in White Satin, etc). (aqui)
“Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band”, The Beatles – 1967
Logo que saiu o disco dos Moody Blues, os Beatles lançam aquele que é um dos discos mais aclamados de todos os tempos, tanto pelas técnicas inovadoras de gravação, as sonoridades e pelo fato de eles encarnarem uma banda fictícia (uma atitude que inspiraria Bowie anos depois). Quanto ao fato de ser um disco conceitual, até hoje não há consenso. Para alguns, Peppers não chega a ser conceitual porque apenas 3 das suas 11 músicas é que tem alguma relação clara. Outros defendem que o disco é conceitual porquê retrata uma apresentação da tal Banda dos Corações Solitários do Sargento Pimenta, que logo no início do disco se apresenta a platéia. Controvérsias à parte, o certo é que este álbum (o primeiro a vir com as letras encartadas) foi um dos que mudaram a forma como se encaravam os discos (onde todas as músicas eram importantes) além de ter influenciado toda a cultura hippie e o Flower Power. (aqui)
“SF Sorrow”, Pretty Things – 1968
A Psicodelia, que os Beatles haviam ajudado a tirar do Underground e virara Mainstream, já estava passando quando os Pretty Things lançaram o seu melhor disco. A banda que vinha habitando o segundo escalão do rock inglês, seguindo uma linha semelhante a dos Stones, deu com “SF Sorrow” o salto estético que lhe firmou entre os maiores nomes da ilha, na época. Agora sim: o disco contava do início ao fim as desventuras SF Sorrow, do seu nascimento até a sua velhice desiludida, passando por guerras, amores e loucuras. Aproveitando a tecnologia utilizada em Sgt. Peppers e em The Piper at the Gates to the Dawn, do Pink Floyd, os Pretty Things fizeram um disco que não está entre os mais lembrados pelo público, mas certamente foi muito influente entre músicos de todas as épocas. (aqui)
“Village Green Preservation Society”, The Kinks – 1968
Os Kinks eram tidos como a quarta força dentro da British Invasion, tocando um misto de Mod (um R’n’B de branco, com mais guitarras) e Merseybeat. Mas a partir de 67, a banda começou a testar novas sonoridades próximas ao vaudeville, e a investir em letras de cunho mais crítico, numa espécie de desencanto permanente com o estilo de vida da sociedade da época. Esse desencanto chegaria ao auge com “Village Green Preservation Society”, um disco que ia na contramão de tudo o que se fazia na época. Enquanto boa parte do rock estava investindo em futurismos e no peso instrumental, os Kinks se voltam para o passado e fazem um disco sem firulas de estúdio, exaltando a vida no interior, num lugar arquetípico (a Vila Verde) que reunia todo o bucolismo de um mundo distante da selvageria das metrópoles. Depois desse, a banda ainda lançaria vários outros discos conceituais, mas este ficaria marcado entre os melhores de sua carreira, sendo considerado por Pete Towshend do The Who o “Sgt. Peppers” dos Kinks. (aqui)
“Tommy”, The Who – 1969
O The Who era a principal banda Mod dos anos 60, na Inglaterra, quando em 67 eles lançam “A Quick One, While He’s Away”, uma das primeiras músicas a romper com o formato radiofônico (tinha quase 8 minutos). Ela contava história de uma moça que era abandonada pelo marido, e tinha várias passagens e momentos distintos, trabalhados de acordo com o andamento da história. Em 68, quando o Pretty Things lançou "SF Sorrow", Pete Towshend (principal compositor do The Who), percebeu que era possível estender uma história ao logo de todo um disco e foi daí que surgiu seu “Tommy”. O disco contava a história de Tommy, um menino que ficara cego, surdo e mudo após sofrer um trauma e que depois se tornaria um campeão mundial de pinball. Uma vez curado, Tommy se tornaria algo como um guru, falando de liberdade e auto-conhecimento, o que foi uma grande sensação entre os públicos dos festivais onde The Who chegou a tocar o disco completo. (aqui)
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
Cinco discos pra entender o Glam Rock
Mas o Glam Rock não era só imagem e polêmica. Abaixo, cinco discos que comprovam isso.
Nesse disco, ainda não vemos Bowie encarnando uma das tantas personas que daria vida em sua carreira: nesse ponto ele era a própria encarnação do Glam Rock. A afetação, o visual andrógino, as referências à Era Vitoriana e à corrida espacial, são alguns dos traços mais marcantes desse disco que, se não é dos mais roqueiros, mostra um Bowie maduro, pronto para se tornar um dos maiores artistas dos anos 70. Detalhe: esse disco é o de Life On Mars?. (aqui)
Marc Bolan e seu T. Rex dentro do Glam Rock representavam um lado mais místico em oposição ao apelo retro-futurista de Bowie. Herdeiro do folk-psicodélico de Donovan (o bardo inglês que surgira como uma resposta a Dylan), Marc Bolan focava o seu som numa atmosfera carregada de groove e hedonismo. Sem dramatismo e nem preocupação cênica, Marc Bolan se permitia improvisos, microfonias, funcionando como uma espécie de xamã numa postura que lembrava um pouco a de Jim Morrison, mas sem tanta poesia. (aqui)
John Lennon uma vez disse que o Glam Rock era "o bom e velho rock and roll apenas com batom". No caso do Slade, o lance era mais rock’n’roll do que exatamente batom. Com jeito de gangue de delinquentes, abusando de gírias nas músicas, e investindo em mais peso do que o T. Rex, o Slade era o lado mais irresponsável do Glam Rock. Primando basicamente pela diversão com um quê hooligan, o som do Slade é cru e sem floreios, quase uma explosão hormonal: celebração juvenil em estado (im)puro. (aqui)
Após terem a carreira salva com o single presenteado por David Bowie, a banda de Ian Hunter teve força suficiente para continuar no topo por méritos próprios, através de um dos maiores discos da década. Praticamente um hit singles pack, com baladas perfeitas, um rock'n'roll melancólico, muito piano e um pé no rock de arena, o disco de 73 foi o primeiro a trazer a palavra punk, numa mostra de que a ponte para o apocalipse de 77 já estava se formando. (aqui)
Com roupas feitas por eles mesmos, postura sexualizada, muita malícia e uma certa urgência instrumental, os New York Dolls sintetizavam de forma amplificada todo o inventário Glam Rock até então. Eles só não chegaram a ser uma banda punk de fato por ainda se renderem a um certo tributo ao Rock’n’Roll clássico, e também não terem a postura destrutiva, nem a linguagem, que marcariam a geração de bandas que emergiria antes do fim daquela década. (aqui)
Menções honrosas (vale ver também): "Here Come the Warm Jets" (1974), de Brian Eno; "Country Life" (1974), do Roxy Music; "Kimono My House" (1974) do Sparks; "Desolation Boulevard" (1974) do Sweet e "Glitter" (1973), de Gary Glitter.
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